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Será que a propaganda (como conhecemos) acabou?

Será que a propaganda (como conhecemos) acabou?

por André Campos Filippe, área de Intelligent Content

As palestras, debates e apresentações da décima edição do ProXXIma confirmaram um comportamento que o consumidor sinalizava há tempos – anúncios não são mais suficientes para chamar a atenção do público. 

Confira 5 pontos em comum entre todas as palestras e painéis do evento:

1. Dados para experimentação, automação e previsão

  • Estamos saindo de um mundo de relatórios, passando pelo de dashboards e caminhando para um de inteligência artificial
  • Cada vez menos será necessário “preparar” as maquinas para trabalharem para gente
  • Dados precisam ser preditivos para serem entregues de maneira customizada em tempo real, assim cirando uma sensação de simplicidade no consumidor
  • Abundancia de dados: sociais, empresarias, mercadológicos e objetos

2. É preciso criar marcas de maneiras contemporâneas
  • Não há mais os 4 Ps do marketing
  • O marketing tradicional demográfico não é mais eficiente. Sua idade, renda, gênero não refletem o que você pensa
  • Empatia é a grande arma para criar conexões com o público
  • É preciso tirar a marca do centro das atenções para se transformar em uma curadora de conteúdo
  • Entender que haverá pouco controle da marca no branded content
  • Exemplo mencionado: A série documental Madrugada Desperada, da cerveja Desperados, que conta com oito episódios dedicados a artistas que usam as madrugadas como plataforma de arte
3. Inovar e errar
  • Buzzfeed não passa muito tempo planejando os posts – descobriram que a formula é fazer pequenas apostas, distribui-las e adapta-las de acordo com a receptividade do publico
  • Conceito de fail foward - se você não errou, é porque não inovou e testou
  • É preciso também celebrar os erros, além dos acertos
  • Exemplo citado: O Buzzfeed testou diversos "lives" no Facebook - como ficar enchendo um balão até estourar - para concluirem que o grande trunfo do formato é o suspense

4. O público está em controle
  • Compreender o comportamento humano é apenas metade do trabalho
  • Tecnologia muda comportamento mas não altera necessidades
  • Existe uma “onda” de conexões entre as pessoas: os círculos de amizade, as subculturas e a cultura mainstream
  • Desafio: conteúdo com mensagem correta (e não mais no tempo certo e na plataforma correta)
  • É preciso pensar em co-criação com o público – praticamente uma programática espontânea, onde as pessoas se apropriam da sua marca e replicam nas suas redes, tornando o tom de voz mais autentico
  • Exemplo citado: os criadores da campanha do Head & Shoulders com o Joel Santana não imaginavam que a frase "You tá the brinqueichon uite me, cara?" iria ser o bordão do comercial. Por isso, precisaram regravar outras peças para inserir a fala.
5. Conteúdo precisa ser relevante e adequado
  • Anúncio não é mais relevante
  • Estamos “anestesiados” dessa linguagem de propaganda
  • Agora é conteúdo próprio vs. conteúdo espontâneo
  • O comum pode ser extraordinário
  • Pessoas marginalizadas agora podem ser influenciadores
  • Experiências pessoais (fails, fotos, vídeos, GIFs) são uma nova forma de entretenimento espontâneo
  • Atenção é a nova moeda
  • Faça o conteúdo viver na cultura local
  • As pessoas leem o que os amigos recomendam e compartilham coisas que elas queriam dizer
  • Estamos diante uma nova geração de criadores, críticos e curadores de conteúdo – ou seja, o seu público tem público
  • Exemplo mencionado: Damn Daniel, onde dois jovens americanos criaram propositalmente conteúdo viral que foi aproveitado pela marca de tênis Vans